
Pois bem, vou resumir a história. Saímos, um belo grupo de “meninas” e dois meninos, direto do nordeste pernambucano de cá para o sudeste paulistano de lá. Todos, pois, de mentes arregaçadas, cansadas, desprovidas de uma construção de sentido de qualquer coisa que fosse, após ter sobrevivido a um doloroso e pavoroso primeiro semestre de Mestrado, pois é mes-tra-do (se é que eu ainda sei como se separa sílabas). Pois bem, como ia dizendo, pra que danado inventamos esse tal de passear por lá? Ainda não sei se estávamos querendo “aparecer bem na fita” para os nossos orientadores de cá, ou se estávamos simplesmente querendo tirar os nossos pobres e mofados casaquinhos para passear por lá... O que sei é que o tal passeio teve de tudo menos o tal do assistir palestras enfadonhas... Pra começar, chegando ao evento, descobrimos que as nossas pobres bundinhas, acostumadas ao calorzinho da areia úmida da praia de cá, teriam que sentar num cimento frio e gelado de lá, uma arquibancada de ginásio muito mal disfarçada de auditório chique. Depois, deram inícios às arrumações e colocações de casacos, botas, cachecóis, luvas, parecíamos mais uma vitrine de árvore de Natal, todas decoradas com milhões de arranjos, tentando em vão, nos proteger do frio de lá... Foi inútil! Por fim era um tal de dedo do pé roxo pra cá, dedinhos dos pés doídos de lá, unha encravada pra cá, compra alicate pra lá... Era tanta mulher reclamando dos pés doloridos... Também, pudera, tudo acostumada a andar só de chinelas havaianas por esses lados de cá, coitadas! Chegando lá também tinha um prédio chamado de Educação que as salas eram ordenadamente indicadas por “ÊD 1”; “ÊD 2”; “ÊD 3” e assim por diante, pronúncia típica do paulistanês de lá. Mas quem disse que a gente acertava achar essas salas? Perguntava-se para todos os lados onde ficavam as salas “ÉD 1”; “ÉD 2”; “ÉD 3”, seguindo a risca a pronúncia típica do pernambuquês de cá... E nada de encontrar sala alguma. Era um tal de rodar pra cá, andar pra lá, dividir o taxi pra cá, juntar o dinheiro pra lá... Até, que quando se achavam as salas, os pés já estavam doloridos demais pra sentar e assistir uma palestra enfadonha... “VamuX pro shopping?”; “vamuX voltá pro hotel?”; “melhor esperar pelaX outraX pra dividí o taxi!”; “oooxiii, o negócio caro da bixiga!”; “mas a noite a gente sai, num sai?”; “só se fô depois de ‘Arebaba’”; “tú avisaX aoX outroX, visse?, que eu já vô íno, que meus pés tão dueno que só a mulesta! Visse?”; “até maiX ver”. E quando chegava a hora da novela era um tal de ligar pra um apartamento de cá, comentar a novela de lá... Isso, sem contar no tanto de fotos, era um tal de tirar foto pra cá, segurar um tanto de máquinas fotográficas pra lá... E as palestras enfadonhas? Nem sinal... Houve até quem se inspirasse nas "das doidas" que passeavam por lá como tema de mestrado de cá... E há quem diga que o Congresso foi muito cansativo. Cansativo mesmo foi carregar aquele ‘mói’ de roupa o tempo todo pra lá e pra cá! Pois bem, este foi um breve relato do que rolava pra lá e pra cá, lá na Unicamp de lá, direto da Unicap de cá...