Domingo, Janeiro 02, 2011

Ao conhecê-lo. Ao compreendê-lo.

Ao conhecê-lo inquietantemente me lembrei de Leminski quando dizia que um homem com uma dor é muito mais elegante, que o homem com uma dor carrega o peso da dor como se portasse medalhas, uma coroa ou um milhão de dólares…
Ao compreendê-lo tranquilamente me lembrei de Gibran Khalil quando dizia sobre o homem que no seu eu, mora no silêncio e lá dentro permanecerá para sempre (não necessariamente) despercebido, mas eternamente inalcançável.

Do que aprendemos

De certeza em certeza, a cada passo dado, o verdadeiro aprendizado é o de que apenas as incertezas se constroem nas certezas. Crescemos quando nos permitimos não saber, não ter certezas, mas, mais ainda, quando preferimos não ter certeza de qualquer coisa que seja, nos rendendo a verdadeiros carnavais de insólitas certezas… Ou incertezas.

Sexta-feira, Abril 23, 2010

Um Sonho Possível

“I need a proper hug” essa foi a frase que mais me chamou atenção no filme, Um Sonho Possível, que fui assistir ontem a noite. Achei a frase simplesmente fantástica, além de retratar muito bem todo o conteúdo do filme. E não somente do filme, mas de tanta gente, de todos nós e de tantas coisas que fazemos de coração e que, ao mesmo tempo, insistimos em esconder esse mesmo coração que colocamos em nossos atos.
Sandra Bullock, que interpreta a mãe do jogador de sonho, teoricamente, impossível, se revela uma mulher de postura inabalável, de coração aberto é certo, mas que não deixa espaço para mais nada. Ela segue, apertando o passo em suas resoluções, sempre muito determinada. Mas, pobre mulher, esquece que ser forte é poder ser fraca de vez em quando. Ser forte é não necessariamente ter que realmente ser forte o tempo inteiro e que, de tempos em tempos, mesmo as mais fortes sempre precisarão de “a proper hug”.
Penso que o sonho verdadeiramente possível é poder acreditar que somos todos merecedores de “proper hugs”, sem vergonha, sem medo de chorar e que, de vez em quando, em nos permitindo ser fracos é quando somos mais profundamente fortes e fieis a nós mesmos.
Eu confesso: I need a proper hug! E você?

Quinta-feira, Abril 15, 2010

O difícil ofício de ser uma toda-poderosa-mãe

Quando era criança e, mais ainda, durante minha adolescência e vida adulta, sempre me pegava refletindo sobre “a pessoa mãe”, o “ser mãe” e sempre me passava pela cabeça, mesmo que de forma involuntária (pois como boa menina e jovem mulher, jamais poderiam me incorrer pensamentos daquele tipo!), como as mães, não só a minha, mas todas as mães do mundo, possuíam um ar de superioridade diante dos demais seres humanos da terra. E eu odiava as mães do mundo por isso. Costumava pensar que mesmo as mães mais legais não eram assim tão legais, pois sempre chegaria o momento em que elas estariam prontas para impor suas vontades e determinações sem qualquer êxito, espaço para diálogo ou pedidos implorados de desculpas. Costumava achar que todas as mães do mundo, mesmo as mães mais legais que eu conhecia, eram no fundo, no fundo extremamente perversas, ditadoras, dominadoras, e o pior de todos os males, elas, simplesmente, se achavam as donas do mundo. Percebia que as mães se achavam completas e absolutas donas de todas as verdades existentes na face da terra. Quem era mãe, na minha opinião, já trazia consigo de nascença (ou do nascimento delas como mãe) a marca de um ego inflamado, uma personalidade cheia de certezas, de verdades absolutas e do maior poder que pudesse existir dentre todos os outros seres humanos . Eu adorava comparar as mães, a minha com as das minhas amigas e todas as outras mães do mundo. E, a cada vez que fazia minhas análises sobre elas – as mães – só conseguia ter mais certeza dessa superioridade inabalável, característica típica de toda e qualquer mãe desse mundo!
Mas um dia tudo isso mudou. Eu passei para o lado de lá! Adivinhem o que me aconteceu? Fatalmente eu me tornei também mais uma mãe super-poderosa desse mundo de poder das mães. Pois é, tenho que confessar, no mesmo dia em que cheguei em casa com a minha filha recém-nascida e, na mesmo época, iniciaram-se todas aquelas visitas infinitas, eu passei a adotar um sistemas quase que involuntariamente. Comecei a instantaneamente dividir e classificar todas as mulheres que vinham me visitar e as que eu conhecia como mães e não-mães. Mas, o curioso nisso tudo foi me dar conta que justo as mulheres que eu classificava como “mãe” estavam num patamar muito, mais muito mais elevado do que todas as outras mulheres que eu conhecia.
Me lembro que naquela época, quando estava “virando” mãe, eu comecei a olhar para todas as mulheres que eram mães, mesmo as piores mulheres-mães que eu conhecia, como seres superiores e que de forma alguma estariam na condição de ser comparadas a todas as outras pobres mortais, mulheres não-mães. Daquele dia em diante me redimi perante a classe das mães. Definitivamente, eu tinha passado para o lado delas, ou melhor, para o “meu novo lado”. Eu encontrei todos os motivos existentes e mais alguns para toda aquela soberania que via anteriormente no ser mãe. Passei a concordar e, mais, enfatizar que toda mãe do mundo era de fato um ser superior a todos os demais.
E por que ser mãe é tudo isso e mais alguma coisa? É porque simplesmente carregamos um amor infinito dentro de nós. Somos completamente poderosas pois somos capazes de amar até as criaturinhas mais chatas do mundo, e o pior, amar incondicionalmente. Conforme nossos filhos vão crescendo, também cresce nosso amor e sistematicamente nosso poder. Não só aquele poder de poder ser um ser superior, mas também o poder de amar e amar cada vez de forma maior e infinitamente essas coisinhas que colocamos no mundo.
Hoje, comparo esse poder de ser mãe ao sentimento de invenção, de criação, dos maiores inventores e criadores das maiores invenções existentes em nosso mundo. Mas, quando faço tal comparação, não há um Einstein, um Freud, ou um Shakespeare que chegue, se quer, perto de qualquer comparação. E sabe por quê? Nossas criações e invenções crescem, aprendem a falar, andar e, com o tempo, podem, por sua vez, tornarem-se seres absolutos como nós, ou seja, mães também e com todos os seus poderes… Poderes estes herdados de nós, claro, mães absolutamente poderosas e detentoras de toda a verdade do mundo.
Por tudo isso, hoje, que nem é o dia das mães ou o dia da mulher, mas é dia de ser mãe, pois SER MÃE é para sempre, inclui todos os dias e minutos do resto de nossas vidas, é que posso dizer que realmente somos o máximo e possuímos todo o direito de ser! Por quê? Por nada de mais, mas, simplesmente porque somos mães!!!

Quarta-feira, Abril 07, 2010

Um completo estranho e todo o resto

O mais estranho mesmo foi perceber como pude deixar de ser estranha justo com um completo estranho!
Hoje, ponderando o acontecimento, sinto um misto de alegria e inocência. Destino, coincidência, acaso, sorte? Não sei, o que sei é que tenho passado a maior parte do tempo desses meus últimos anos tentando agir da maneira mais certa ou, pelo menos, mais coerente, mas sem saber ao certo onde esse certo me levará, se ao céu ou a uma úlcera. Por isso mesmo costumo pensar que o bom mesmo é fazer o que se tem vontade, como quando alguém me dá um conselho e eu penso comigo mesma: “excelente ideia, mas vou fazer apenas o que eu quiser!”.
E acho que o que aconteceu foi exatamente isso, eu fiz simplesmente o que eu quis, sem pensar no que era certo ou errado. Talvez, vivi um desses momentos em que nada se categoriza em certo ou errado, mas em todo o resto que não foi classificado, e que temos uma necessidade silenciosa de descobrir. Esse resto deve ser uma montanha de sentimentos que não chega a ser certo por não ser o bem e nem o errado por não ser o mau. Esse resto pode ser uma solidão gigantesca, sentimentos confusos, saudades cortantes, necessidade de afeto ou mesmo urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento ou, pelo menos, do comportamento lúcido. Esse resto é toda nossa vontade mais secreta de melhorar para pior, de dar-se alta, de zerar-se. Trata-se da chance de poder deixar de ser estranhos a nós mesmos, mesmo que seja com um completo estranho.
Também, sempre pensei que a realização de mudanças em minha vida era uma tentativa de corrigir meu passado. Ou seja, a questão não é o que faço de novo, mas sim que a cada vez que decido por fazer algo diferente do que sempre fiz, estou me dando uma nova chance de melhorar, de acertar. Estou tendo a oportunidade de zerar meu hodômetro. E, com esse zerar-se, surge também a identificação com novas pessoas. O que me leva diretamente à outra questão: “e por que nessa tentativa de mudança fui encontrar justamente com tal pessoa?”. Acho que a resposta está no espelho. Pois é, no espelho que cada pessoa é capaz de projetar de mim mesma. A possibilidade de ver um novo eu em cada pessoa nova que me disponibilizo (ou não) a conhecer.
E, assim, naquele dia conversei por horas num voo de 35 minutos e, naquele momento, me dei conta de como eu estava sendo simpática e falante, completamente aberta à novas amizades e situações. Estranho, não?! Logo eu que tenho sido rotulada de estranha por alguns. Tudo bem, já faz algum tempo, eu sei, entendo, aceito e não nego que tenho sido estranha mesmo, sempre fugindo dos amigos ou, pelo menos, dos eventos sociais. Enfim, esse encontro fez com que eu quisesse ver, viver, sentir todo o resto!
Para Finalizar, só quero registrar a oportunidade de ter me visto e me sentido não mais tão estranha, mesmo que com um completo estranho!

Terça-feira, Abril 06, 2010

Desaprenda!

Sempre gostei desse dizer escrito num muro qualquer da cidade e que copiei e colei como imagem central e inicial do blog que fiz pra chamar de meu. Mas, hoje, já quase 2010, terminando 2009, percebo que a imagem escolhida para ilustrar o que existe aqui não poderia ser mais perfeita e significativa pra mim neste momento de minha vida.
Acredito que este deveria ter sido O ANO. O ano que eu faria o que sempre sonhei, que eu correria de encontro aos meus sonhos e realizações, abrindo mão de tantos outros sonhos já concretizados num passado. No entanto, este foi também o ano em que mais desaprendi e isso só aconteceu porque em algum momento de toda essa caminhada eu resolvi simplesmente não fazer o melhor, o que era correto, ou da maneira ‘perfeitinha’ que sempre fiz. Foi um ano dedicado a mim. Assumi um compromisso de respeito e de amor por mim mesma. Fiz apenas o que me deu vontade, só fiz bem feito o que eu realmente estava a fim de fazer. Eu só saí quando quis sair, só falei com as pessoas que eu queria e quando queria falar. Aprendi e amei estar sozinha. Ao contrário do que tinha passado a vida fazendo, fiz muito de menos do que não me interessava e fiz um pouco de mais do que realmente queria fazer. Solidão? Egoísmo? Egocentrismo? Pode ser tudo isso e muito mais, o que sei é que fui, pela primeira vez, eu mesma, fazendo por mim e pelos outros, mas apenas quando estava a fim. E creio que em sendo assim, tenho sido no último ano, ao contrário do que muitos possam pensar, a pessoa mais altruísta que já havia conhecido em minha vida. Cultivei solidão e colhi amor próprio e respeito pelas pessoas exatamente como elas são. Aprendi que chegada a hora do balanço final, nem tudo são flores, e que posso descobrir muitos espinhos ao longo do caminho percorrido, mas o que realmente interessa é que esse caminho foi feito por mim, eu o trilhei e o construi a minha maneira, sem medo de ser feliz ou infeliz, mas simplesmente sendo eu mesma a todo e a cada momento.

Domingo, Agosto 16, 2009

Como pode ser...

por Juliana Barreto
Perturbação, sono, insônia, mente cansada, corpo descansado, necessidade de concentração, desejo de estar só, desejo de não mais pensar em você, descaso, descanso, cansaço, cansaço de tentativas em vão de mudar o acaso, um caso, um simples caso que ao acaso foi tão bem começado e mal acabado. Mas, ainda assim, um caso. Um caso com dia e hora marcada para acontecer. Faço forças pra me lembrar da minha determinação, do meu foco. Quero esquecer a solidão, solidão de você. Não, não existe solidão, tudo não passa de delírios, sonhos, uma realidade irreal, inventada por mim e que não existe, mas persiste. Está tudo na minha cabeça, ou será que estaria em meu coração? Não, melhor não pensar nessa sensação. Mas como fazer isso se até dormindo, tentando fugir da minha realidade, do real que vivo de estar acordada e pensar em você, acabo adormecendo e sonhando com você? Mas eu acordo, me levanto assustada, desesperada, com raiva de mim mesma por não conseguir nem em sonho fugir de você, pensar em você, sonhar com você... Mais uma vez. Só me resta a esperança de ter sido a última vez e proto. Ponto final. Um ponto final era tudo que eu mais queria agora. Poder digitar, escrever, simplesmente, bater com todas as minhas forças enfaticamente naquela tecla de “ponto final”. O problema é que teria tanta vontade de fazer isso, que ao fazê-lo bateria insistentemente, tentando inutilmente fazer daquilo um ponto final, o que para minha surpresa e desespero, estaria apenas transformando meu ponto final em reticências mil, reticências infinitas, tudo isso no desespero de simplesmente dar um ponto final a você, a mim, a nós... Não consigo, transformo tudo em reticências. E me odeio por, na tentativa de ser forte, me tornar tão fraca. Aproveito-me do mar e do seu barulho que me embala, ai é quando me lembro do quanto ligado ao mar você diz ser, e logo penso que posso estar inconscientemente traduzindo no embalar do som do mar, as suas mãos a me acariciar, a tocar os meus cabelos. Tenho uma vaga lembrança de que sempre tive medo do mar, assim como sempre temi grandes icebergs, mas não mais. Aproveito-me do nascer do sol e do pôr do sol para me acalmar, mas logo lembro que um dos meus melhores “olhar o sol” foi justamente quando estava com você. Sei que aqui onde estou tem um mundo cheio de graça lá fora para conhecer, mas passa o tempo e percebo que estou apenas entregue a ponto de estar sempre só, esperando um sim ou um nunca mais. Não me perguntes se quero ou não quero, se consigo ou não consigo. Só te peço que assim seja. Sei que você é ligado a mim, por isso, sempre que estou indo, tentando me livrar de você, volto atrás. Mas você não está apenas ligado a mim. Ao mesmo tempo sinto vida em mim, um absoluto dom que me foi dado de existir assim como sou. Na minha solidão não há solidão, nem pena, mas apenas doação e milagres do amor, amor à vida e ao que quero e faço dela. Enfim, só sei que quero tanto te esquecer, mas só de pedir me lembro... Não pedirei mais, mas apenas me deixarei embalar pelas ondas do mar até adormecer e acordar em uma outra existência, quando alguém poderá sim ser amado por mim e, quem sabe, tudo acontecer. Mas por agora a única coisa que me vem à mente é um pensamento: “como pode ser...?”

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Da Unicap de cá direto para Unicamp de lá


Pois bem, vou resumir a história. Saímos, um belo grupo de “meninas” e dois meninos, direto do nordeste pernambucano de cá para o sudeste paulistano de lá. Todos, pois, de mentes arregaçadas, cansadas, desprovidas de uma construção de sentido de qualquer coisa que fosse, após ter sobrevivido a um doloroso e pavoroso primeiro semestre de Mestrado, pois é mes-tra-do (se é que eu ainda sei como se separa sílabas). Pois bem, como ia dizendo, pra que danado inventamos esse tal de passear por lá? Ainda não sei se estávamos querendo “aparecer bem na fita” para os nossos orientadores de cá, ou se estávamos simplesmente querendo tirar os nossos pobres e mofados casaquinhos para passear por lá... O que sei é que o tal passeio teve de tudo menos o tal do assistir palestras enfadonhas... Pra começar, chegando ao evento, descobrimos que as nossas pobres bundinhas, acostumadas ao calorzinho da areia úmida da praia de cá, teriam que sentar num cimento frio e gelado de lá, uma arquibancada de ginásio muito mal disfarçada de auditório chique. Depois, deram inícios às arrumações e colocações de casacos, botas, cachecóis, luvas, parecíamos mais uma vitrine de árvore de Natal, todas decoradas com milhões de arranjos, tentando em vão, nos proteger do frio de lá... Foi inútil! Por fim era um tal de dedo do pé roxo pra cá, dedinhos dos pés doídos de lá, unha encravada pra cá, compra alicate pra lá... Era tanta mulher reclamando dos pés doloridos... Também, pudera, tudo acostumada a andar só de chinelas havaianas por esses lados de cá, coitadas! Chegando lá também tinha um prédio chamado de Educação que as salas eram ordenadamente indicadas por “ÊD 1”; “ÊD 2”; “ÊD 3” e assim por diante, pronúncia típica do paulistanês de lá. Mas quem disse que a gente acertava achar essas salas? Perguntava-se para todos os lados onde ficavam as salas “ÉD 1”; “ÉD 2”; “ÉD 3”, seguindo a risca a pronúncia típica do pernambuquês de cá... E nada de encontrar sala alguma. Era um tal de rodar pra cá, andar pra lá, dividir o taxi pra cá, juntar o dinheiro pra lá... Até, que quando se achavam as salas, os pés já estavam doloridos demais pra sentar e assistir uma palestra enfadonha... “VamuX pro shopping?”; “vamuX voltá pro hotel?”; “melhor esperar pelaX outraX pra dividí o taxi!”; “oooxiii, o negócio caro da bixiga!”; “mas a noite a gente sai, num sai?”; “só se fô depois de ‘Arebaba’”; “tú avisaX aoX outroX, visse?, que eu já vô íno, que meus pés tão dueno que só a mulesta! Visse?”; “até maiX ver”. E quando chegava a hora da novela era um tal de ligar pra um apartamento de cá, comentar a novela de lá... Isso, sem contar no tanto de fotos, era um tal de tirar foto pra cá, segurar um tanto de máquinas fotográficas pra lá... E as palestras enfadonhas? Nem sinal... Houve até quem se inspirasse nas "das doidas" que passeavam por lá como tema de mestrado de cá... E há quem diga que o Congresso foi muito cansativo. Cansativo mesmo foi carregar aquele ‘mói’ de roupa o tempo todo pra lá e pra cá! Pois bem, este foi um breve relato do que rolava pra lá e pra cá, lá na Unicamp de lá, direto da Unicap de cá...

agora e também, mais uma vez, na mesma época...


Costumava andar, dedilhar, escrevilhar
(mistura de escrever com vasculhar)
fuçar por aqui
quando também, na mesma época
acredito agora
vivia uma vida completamente normal.
Mesmo que, também, na mesma época
eu não a enxergasse exatamente assim.
Pois bem, agora e também, mais uma vez
acreditando não ser minha vida normal
volto a escrever
agora não mais como antes.
Mas, de um eu a observar o meu próprio eu
(continuo me lendo, agora e também, mais uma vez, na mesma época...)
Pois bem
deixemos de loucuras insanas e passemos as loucuras sanas, sanadas...
Estou eu aqui em lugar algum
fazendo não sei o que!
Pode até parecer estranho
mas é a mais pura verdade...
Saí da minha vida
abandonei casa, filha, família e babá
(não abandonei marido, pois este já tinha abandonado tempos atrás),
fui de encontro a algo que ainda não encontrei.
Também, na mesma época
sai em direção a algum lugar
mas fiquei pelo caminho.
Estou num nem aqui, nem acolá
alguma cidade chamada de Nem, no Estado do Entre.
E o mais interessante disso tudo
é que o estado em estando me convida a vagar e estar no está mais uma vez...
E é nesse estando que me pego pensando
que já nem penso que estou em lugar algum
fazendo não sei o que.
Me pego
simplesmente
pen-insan-o este momento tão frutífero de minha vida.
Agora e também, mais uma vez
como na época de na mesma época
não sei mais o que é dia ou o que é noite
o que está fora ou o que está dentro
guio-me apenas pelo som do mar e pela luz do sol ou da lua que vejo
agora e também, mais uma vez, por sobre esse mar.
Acho que o nome desse lugar é lar.
Bem vinda de volta ao lar.